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15 outubro 2018

Como o destino quiser - parte 2

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Leia a PARTE I 

Eu estava atrasada. Muito atrasada.

Peguei a chave e me joguei porta a fora. Se eu pegasse o elevador naquele momento, ainda conseguiria chegar a tempo. Andei pelo corredor enquanto planejava mentalmente meu percurso até a faculdade. Meu plano foi por água abaixo quando me deparei com a maldita placa marrom pendurada na porta do elevador.

-Estragado? De novo?! - Minha voz saiu um pouco mais alta do que deveria.

Desci as escadas correndo. Mais uma vez me arrependi de ter deixado Laura ganhar a discussão sobre quem escolheria o apartamento. Morar no décimo andar já não parecia tão conveniente quanto ela fez parecer três anos atrás.

Sempre fui do tipo quieta, que prefere não se misturar, ao contrário da Laura, que sempre fez o tipo "abelha rainha" da escola. E continua a tradição, agora na faculdade. Acho que por esse motivo ela sempre ganhou nossas discussões. Eu geralmente concordava com ela para deixar o assunto morrer ali. Ainda não consigo entender como nos tornamos tão amigas.

Eram dez horas passadas, mas o calor era tão forte que já parecia o sol do meio dia. Comemorei quando virei a última esquina. Faltava apenas atravessar o parque e pronto, estaria na porta da faculdade.

Não sei explicar exatamente como ocorreu, porque na verdade, tudo aconteceu muito rápido. Quando me dei conta, um skate bateu em meu tornozelo e um garoto com olhos arregalados me segurou pelos braços para amortecer a queda, que era inevitável.

Tentei sair do caminho, em vão. Nós dois caímos. Minha bolsa voou para um lado e os livros para outro. Vi o garoto levantar e ir embora resmungando algumas palavras impossíveis de compreender. A impressão que me deu foi de que ele abraçou o skate - inacreditável.

E quando achei que as coisas não poderiam ficar mais constrangedoras, eu o enxerguei. Nunca havia o visto antes. Ele era lindo, alto e elegantemente magro. Vestia uma camisa polo azul clara, os cabelos ganhavam um tom acobreado ao sol e o sorriso exibia os dentes absurdamente brancos. Por um momento, nossos olhos se encontraram. Senti o rosto corar e voltei a me concentrar nos livros espalhados pelo chão. Ele estava mesmo olhando para mim?

Não tive tempo de concluir o raciocínio, quando percebi, ele já estava parado em minha frente, bloqueando o sol. E era ainda mais bonito de perto. Por um momento, esqueci de como respirar. O que eu estava fazendo mesmo?

Sem delongas, ele se abaixou, juntou meus livros e ao levantar -se, me estendeu a mão.

- Eu estava observando do outro lado da praça. Foi uma queda e tanto.
- É, eu até tentei evitar - disse, segurando a mão dele - mas não deu muito certo.
- Que bom - respondeu ele, sorrindo. - Quero dizer, eu estava sentado procurando um motivo para vir falar com você. Estou devendo uma para aquele garoto.

Enquanto ele falava, meu coração batia tão forte que parecia que sairia pela boca a qualquer minuto. Ele sorriu novamente.

- Você pode, por favor, dizer alguma coisa?
- Obrigada - respondi, depois de um tempo tentando organizar os pensamentos.
- Já é um começo. Você estuda aqui? - ele perguntou, apontando para a porta da faculdade.
- Sim, curso direito. - Ao terminar a frase, lembrei subitamente do meu trabalho. - Que horas são?! 
 - Dez e vinte e cinco.
- Ah, droga! - gritei, enquanto saía apressada.
- Ei! - ele gritou, acenando - Você nem me disse seu nome!
- Desculpe! - foi o máximo que consegui responder, antes de sair correndo desajeitada, sem olhar para trás.

Eu tinha cinco minutos pra atravessar todo o campus. Corri o mais rápido que pude, abrindo espaço por entre os grupos de estudantes que se formavam perto das portas. Quando finalmente consegui entrar na sala e respirar, a única coisa em que pude pensar foi que, definitivamente, aquele era o sorriso mais lindo da história.

(continua)

E então, curtem esse tipo de post? Querem ler o resto dessa história? Não deixem de me contar aqui nos comentários!

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